Mestre da animação japonesa completa 70 anos. Acompanhe suas principais obras.
No fim de 2009, a Disney ressuscitou uma tradição com o lançamento de A Princesa e o Sapo, uma animação feita em desenho 2D, naqueles moldes clássicos dos anos 90 como O Rei Leão e A Bela e a Fera. Era uma das prioridades de John Lasseter ao assumir a casa. Essa brisa de nostalgia foi bem recebida por público e crítica, mas muito aquém de seu principal concorrente, vindo da terra do sol nascente. Pra qualquer fã de cinema e de animação que se preze, o nome do japonês Hayao Miyazaki já passou pelas suas orelhas.
O artista ganhou notoriedade no ocidente após levar o Oscar em 2002 de Melhor Animação, desbancando os gigantes de Hollywood. Isso só citando a premiação comercial. A Viagem de Chihiro, considerado um conto de fadas moderno, arrebatou o festival de Berlim, São Francisco, prêmios populares e colocou nas telas da América o filme que encantou milhões de japoneses. E eu digo: é apenas um da vasta obra de Miyazaki, que completou esta semana 70 anos em plena atividade.
Esse habilidoso contador de histórias fundou o Studio Ghibli, considerado a meca dos longa metragens animados do Japão. A Disney, muito sábia, após Miyazaki levar seu Oscar, firmou um acordo de localização e distribuição de seus filmes no ocidente, o que agrada e muito seus fãs, pois agora é mais fácil ter acesso às suas obras encantadoras. Todos os longas de Miyazaki são feitos à mão, na base do lápis, giz de cera e aquarela. Ele não admite o uso de computadores durante o processo de criação, permitindo o uso de máquinas apenas para a finalização de poucos trechos. Durante a produção de Princess Mononoke (Mononoke no Hime), o artista confiscou todos os computadores da empresa, obrigando seus funcionários a criarem o longa à moda do lápis e borracha.
Seus filmes trazem além da estética japonesa, ensinamentos de vida atrelados a uma roupagem lúdica, permeados por histórias profundas, com a predominância de protagonistas femininas fortes e determinadas. Meu Vizinho Totoro, de 1988, é considerado seu filme mais famoso. Extremamente infantil, a história das duas irmãs que se mudam pro campo com o pai para poderem ficar mais próximas da mãe que adoeceu parece simples, mas é de uma tristeza permanente.
Com o premiado Chihiro, o artista ensina sobre tolerância, sabedoria e a busca pela identidade. Já em Castelo Animado, seu filme mais maduro, Miyazaki mais uma vez chegou ao mainstream de Hollywood, trazendo a história de uma garota que após ser enfeitiçada pela Bruxa do Pântano, envelhece e precisa reconstruir seus alicerces de família, amigos e se dar ao direito de amar. Ao se apaixonar pelo feiticeiro Howl, a protagonista Sophie rejuvenesce aos olhos do telespectador em uma das mais sábias metáforas sobre a beleza e estética que o cinema já viu. O tal castelo do título também é uma analogia ao corpo do feiticeiro Howl, assim como um local de refúgio ambulante. Desengonçado e parecendo um monstro gigante, o castelo caminha pelos campos e foi desenhado em várias camadas de folhas vegetais, animadas independentemente.
Ponyo chegou ao Brasil com muito atraso com relação aos EUA, mas é o trabalho mais recente do artista. O filme, em desenho 2D tradicional, com lápis de cor e aquarela, é pura arte. A história envolve duas crianças e traz uma sutil mensagem ambiental, aliada a uma aventura colorida e bastante lúdica. É Miyazaki em sua melhor forma. Bastante infantil como Meu Vizinho Totoro, de 1988, mas perspicaz e muito reflexivo pra qualquer idade. A trilha sonora orquestrada é um outro ponto alto, como a de todos os seus filmes, sempre regidas por Joe Hisaishi, tido como um John Williams para o diretor.
Ainda existem os filmes menos conhecidos, mas não menos especiais, como Castle in the Sky, Porco Rosso, Kiki’s Delivery Service, Nausicaä, The Cat Returns ou ainda o ultra cult Grave of Fireflies (este não dirigido por Miyazaki, apenas produzido), lançado no mesmo dia de Meu Vizinho Totoro no Japão, mas sendo uma animação completamente distinta que a do amigo da floresta: triste, depressiva e de desidratar qualquer um.
Os mais jovens que possam estar lendo esse artigo, fãs de animes e mangás, com certeza possuem algum filme de Miyazaki ou do Studio Ghibli como favorito. A você que considera cinema de animação algo inspirador, não pode deixar de ver o que Miyazaki já criou na história do cinema. É desenho sofisticado, que exige leitura, mas vale cada minuto desprendido.
#AddOn! Pra quem curte tanto os filmes de Miyazaki quanto jogos de videogame, já foi lançado no Japão o RPG que é fruto de uma parceria do Studio Ghibli com a produtora de jogos Level 5, a responsável pela série Professor Layton (que também possui um ótimo longa metragem!). Trata-se de Ni No Kuni, um RPG com versões para Nintendo DS e PS3. Eis um preview em vídeo do game:











Me envergonho em dizer que, de todos os filmes do cara, eu só tenha assistido “A Viagem de Chihiro”, que por sinal, é maravilhoso… Preciso me redimir desse pecado! =/
Aliás, ótima matéria meu amigo! =)
verdade, parabéns mesmo, e merecido aniversário, deveriam fazer uma festa em todo o japão, pois o cara, é o cara !
Os únicos filmes dele que assisti foram “A Viagem de Chihiro”,”Meu Vizinho Totoro, “,e “ponyo” E sou apaixonada pelos três.o Trabalho dele é maravilhoso sem dúvidas!
É sempre emocionante falar de Hayao Miyazaki, ontem foi uma ótima data para lembrar um pouquinho das obras dele. Adorei o texto, trouxe de forma coerente o que é o universo que ele criou, bacana não só pra quem sente nostalgia, mas pra quem ainda não conhece. Só vou ficar no aguardo do game para DS, espero que faça jus!
E só um adendo: é bom saber que todos os filmes do Miyazaki podem ser reinterpretados, tudo depende do amadurecimento da ótica do espectador. Tal como em Viagem de Chihiro, que subliminarmente a Chihiro trabalha em um prostíbulo.
O Berje é um cara que além de manjar muito de Miyazaki, possui uma sensibilidade ponta firme. Se o texto agradou ele no assunto referido, me dou por satisfeito. =]
E obrigado a todos os coments! Uma pena que pouquíssimos filmes desse artista tão singular tenham sido localizados pra América Latina.
Sem dúividas esse gênio dos filmes de animação merece meus parabens. Já assisti Castelo Animado, La Puta, A Viagen de Chihiro, e tambem o melhor de todos na minha opinião: Mononoke Hime!
Parabens Hayao Miazaki, e valeu!!!
Os filmes do Studio Ghibli são demais mesmo. Meus preferidos são A Viagem de Chihiro e Kiki’s Delivery Service. Miyazaki é rei!
O meu preferido de todos e que por muitos é considerado a obra-prima dele é Nausicaa do Vale dos Ventos, uma história sensacional. Adoro Meu Vizinho Totoro, Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke, Castelo Animado e queria muito ver Porco Rosso e Ponyo.
Vi Cemitério de Vagalumes e é uma história densa demais, mas muito densa mesmo, de chorar, tem que estar inspirado para ver.
Parabéns pelo post e parabéns ao mestre.
Parabéns pelo post aí Lucas!
Estou com um acervo do Miyazaki aqui pendente. É muito interessante que suas obras tenham se popularizado atualmente… tem muita coisa boa que não poderia ser deixada de lado.
Muito boa a contribuição e divulgação deste mestre.
Parabéns Miyazaki!
ótimo post, parabens!
Miyazaki é foda.. o primeiro filme q eu vi dele foi Princesa Mononoke, depois disso já vi Nausicaa, Totoro, Castelo Animado (mto bom!), Viagem de Chihiro.. Ponyo eu não vi, mas pretendo ver.